Histórias da meia-noite: As bodas de Luís Duarte

Olá leitores,

Bem, mais um conto do livro Histórias da meia noite, de Machado de Assis. O conto de hoje é As bodas de Luís Duarte.

Se quiser ler o conto anterior clique aqui.

Esse conto narra os preparativos e a festa de casamento da filha mais velha de José Lemos, Carlota com Luís Duarte. Durante a narrativa Machado discorre por todos os personagens e podemos perceber que cada um deles têm seu papel demarcado na sociedade burguesa do século XIX. Ao longo da narrativa o autor vai descrevendo algumas ações desses personagens de forma irônica e ambígua o que causa um certo humor na leitura.

“[..]– Que magnífico é isso! exclamou ele diante do Sardanapalo, quadro que achava detestável.
– Foi papai quem escolheu, disse Rodrigo, e foi essa a primeira palavra que pronunciou desde que entrou na sala.
– Pois, senhor, tem bom gosto, continuou Calisto; não sei se conhecem o assunto do quadro…[..]”

Um fato interessante é que Dona Beatriz, esposa de José Lemos, é quem dá ordens aos escravos e quem toma diversas decisões na casa enquanto que seu marido foi quem decorou o casamento da filha. Nessas cenas Machado quis representar que fora de casa a mulher era submissa ao marido, mas no ambiente mais íntimo tinha autonomia.

“Foi grande assunto de debate nos três dias anteriores ao dia das bodas, se o jantar devia preceder a cerimônia ou vice-versa. O pai da noiva inclinava-se a que o casamento fosse celebrado depois do jantar, e nisto era apoiado pelo jovem Rodrigo, que com uma sagacidade digna de estadista, percebeu que, no caso contrário, o jantar seria muito tarde. Prevaleceu entretanto a opinião de D. Beatriz que achou esquisito ir para a igreja com a barriga cheia.”

Nessa narrativa os noivos, por mais estranho que pareça, não são destaque, mas são tratados da mesma maneira que qualquer outro personagem e na maioria das vezes não possuem destaque nas cenas.

O final do conto também é irônico.

“Mas o verdadeiro brinde dessa festa memorável, foi um pequerrucho que viu em janeiro do ano seguinte, o qual perpetuará a dinastia dos Lemos, se não morrer na crise da dentição.”

Ao invés de ser um final romântico, como era o esperado, pois o conto foi publicado no romantismo, o conto possui um final realista (“crise de dentição).

As bodas de Luis Duarte

Bem, esse conto é bem curtinho e gostoso de ler e apesar de ser do Machado não é difícil sua interpretação.

Beijoos

 

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