Resenha: Esaú e Jacó

 

 

Esaú e Jacó

Paulo gostava mais de conversa que de piano; Flora conversava. Pedro ia mais com o piano que com a conversa; Flora tocava. Ou então fazia ambas as cousas, e tocava falando, soltava a rédea aos dedos e à língua.

Machado de Assis

Romance | 251 páginas | Compre & Compare Lojas Americanas * Submarino |  Autor: MACHADO DE ASSIS | Publicado em 1904|Classificação 5/5

Olá leitores,

Como em todas as suas obras, Machado de Assis mais uma vez nos surpreende com esse romance. Ele é rico em interdisciplinaridade. Podemos encontrar nessa obra relações com a Bíblia e com a filosofia.

Bem, a narrativa começa quando Natividade, mãe dos gêmeos Pedro e Paulo vai à Cabocla do Castelo (uma espécie de advinha) saber sobre o futuro dos filhos. A Cabocla lhe diz que eles brigam desde o ventre, resultando numa vida inteira de intrigas. No entanto, coisas futuras estão esperando por eles e que serão grandes homens. Tal revelação conforta um pouco Natividade.

Tal rixa entre os irmão se confirma durante a narrativa. Os gêmeos acabam se apaixonando pela mesma moça, Flora, o que ativa mais ainda o conflito entre eles. Uma coisa interessante é que Pedro e Paulo, apesar de serem a temática da narrativa, são pouco desenvolvidos por Machado. O autor não dá a eles uma individualidade, mas sim são construídos de forma a opor o outro.

E pra piorar um pouco, Flora tenta, por toda a obra, decidir entre um dos irmãos, no entanto a única certeza em que ela consegue chegar é de que o homem ideal seria um ser inexistente composto pela fusão dos gêmeos.

Nessa parte Machado nos mostra, de maneira trágica, que quem quer tudo nada tem.

Outro ponto interessante é o fato do Conselheiro Aires (sim, aquele mesmo que aparece em outras obras do Machado) ser, ao mesmo tempo, personagem, narrador e autor da obra. Cada uma de suas “funções” são muito bem construídas por Machado.

Assim como Brás Cubas, em Memórias Póstumas de Brás Cubas, Aires já está morto quando narra o livro e, assim, pode-se dar ao luxo de não ser regido pelas regras da sociedade.

Machado, mais um vez, nos traz um romance cheio de digressões (pensamentos que, aparentemente, não tem nada a ver com o texto). O que mais marca o romance é o tratamento que Machado de Assis dá à incerteza dos jovens em relação as suas escolhas. Podemos notar, facilmente, que Esaú e Jacó é um romance atemporal, ou seja, até nos dias de hoje podemos “tirar proveito” da obra.

Bem, não vou dizer pra vocês que é uma obra super legal, mas tenho que dizer que a acho muito interessante. Ela também não é a mais fácil do mundo de ler, mas estamos falando de Machado de Assis, então, nada seria fácil.

Breve biografia do Autor: Machado de Assis ocupa, sem dúvida, um lugar ímpar na literatura brasileira e universal, notoriedade atestada, sobretudo, pelas suas inúmeras traduções em diversas línguas. Autodidata, mestiço, de origem humilde, ainda em vida teve o reconhecimento de seu trabalho como escritor e como figura literária representativa. Marcou seu nome na literatura, notadamente, com o romance, o conto e a crônica, embora possamos dizer que tenha produzido em quase todos os gêneros literários

Recomendo muitoo!

Beeijos

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