Resenha: De Pauliceia Desvairada a Lira Paulistana

Mário de Andrade
Editora Martin Claret, 2017
465 páinas

“Este prefácio, apesar de interessante, inútil.”

Olá, amantes da poesia brasileira \o/

Hoje, falarei de um livro que reúne várias obras em verso do famoso Mário de Andrade. Desde, De Pauliceia Desvairada que, em período de Semana da Arte Moderna, Mário de Andrade ainda estava com um ar debochado em seus versos, até momentos mais sombrios do autor em Lira Paulistana. Por isso o nome do livro:

De Pauliceia Desvairada a Lira Paulistana

Esta edição da Martin Claret de Capa Dura está toda cheia de detalhes. Desde a capa, que vocês podem ver na foto aqui acima, que acredito, principalmente, representar a cidade moderna de SP, com o verticalismo dos prédios, rompendo com ideias antigas e aceitando o moderno, assim como o movimento modernista que permeou as obras de Mário de Andrade.

Entrando na leitura, para o leitor que não é familiar aos versos de Mário de Andrade, existe toda uma explicação do contexto literário da época em que o escritor se encaixava, assim como sua evolução ao longo do tempo, mas sem deixar que os traços principais de sua escrita mudassem.

E depois… claro! Os versos de Mário de Andrade:

Selecionei dois aqui para compartilhar com vocês sz

O primeiro de De Pauliceia Desvairada:

O Rebanho

Oh! minhas alucinações!
Vi os deputados, chapéus altos,
Sob o pálio vesperal, feito de mangas-rosas,
Saírem de mãos dadas do Congresso…
Como um possesso num acesso em meus aplausos
Aos salvadores do meu Estado amado!…
Desciam, inteligentes, de mãos dadas,
Entre o trepidor dos taxis vascolejantes,
A rua Marechal Deodoro…
Oh! minhas alucinações!
Como um possesso num acesso em meus aplausos
Aos heróis do meu Estado amado!…
E as esperanças de ver tudo salvo!
Duas mil reformas, três projetos…
Emigram os futuros noturnos…
E verde, verde, verde!…
Oh! minhas alucinações!
Mas os deputados, chapéus altos,
Mudavam-se pouco a pouco em cabras!
Crescem-lhe os cornos, descem-lhe as barbinhas…
E vi que os chapéus altos do meu Estado amado,
Com os triângulos de madeira no pescoço,
Nos verdes esperanças, sob as franjas de ouro da tarde,
Se punham a pastar
Rente do palácio do senhor presidente…
Oh! minhas alucinações!

E o segundo de Lira Paulistana:

Garoa do meu São Paulo

Garoa do meu São Paulo,
-Timbre triste de martírios-
Um negro vem vindo, é branco!
Só bem perto fica negro,
Passa e torna a ficar branco.

Meu São Paulo da garoa,
-Londres das neblinas finas-
Um pobre vem vindo, é rico!
Só bem perto fica pobre,
Passa e torna a ficar rico
Garoa do meu São Paulo,
-Costureira de malditos-
Vem um rico, vem um branco,
São sempre brancos e ricos…

Garoa, sai dos meus olhos.

Em um tom mais “sombrio” Mário de Andrade, escritor modernista, conta sobre os rostos rotineiros avistados na moderna cidade de SP e também faz uma crítica ao racismo que acontecia, e que muitas pessoas ignoravam, em uma época que poucos tinham coragem de fazer uma afronta.

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