Are you Afraid of the Dark? #Resultado1

E O PRIMEIRO LUGAR…

are you...

tam tam tam tam…

Querido Amigo Imaginário

”-Muito bem Sra. Herrera, conte-me sua história.- Elisa Montero, repórter de uma das piores revistas sensacionalistas, pergunta a senhora corcunda sentada a sua frente.
A entrevista havia começado e a jovem ponderava se ”a velha” tinha ensaiado bastante a mentira que estava prestes a contar. Ela tinha experiência com loucos e mentirosos após um ano de entrevistas vulgares para a revista, não é como se ela ligasse, enquanto o dinheiro estivesse na sua conta no fim do mês tudo era válido. A senhora, que não parecia muito disposta, fitou o chão com os olhos esbranquiçados pela catarata antes de começar a falar de maneira quase imperceptível, Elisa teve que debruçar-se sobre a mesa que as separava para ouvi-la.
      -Como já sabe, eu me chamo Ivonne, nasci em uma família de cinco irmãs em uma cidade muito insignificante do México, tão insignificante que não vale a pena citar o nome. Quando tinha apenas 17 anos atravessei ilegalmente a fronteira para a América, o que mais uma ignorante mexicana poderia fazer? Minha família já tinha o suficiente de dívidas e problemas para que se preocupassem com mais uma filha tola e sonhadora. Diferente de muitos que vieram para este país pelos mesmos motivos que eu, acabei tendo a sorte de achar um bom emprego como babá.
Foi desta forma que estabilizei minha vida e foi através dela que cai em desgraça.
Eu já tinha uma certa experiência quando os Anderson me convidaram para trabalhar para eles. O nome da garotinha deles era Marcy e a pobre criança parecia ser tão normal e catarrenta como cem mil outras garotinhas, mas logo descobri que ela não era tão normal assim. Marcy tinha uma rara doença chamada Fotodermatose, um mal que, basicamente, pode ser definido como uma alergia a luz solar. Todas as janela da casa tinham cortinas pesadas para manter os raios solares fora, a rotina da casa havia se adaptado  a ela, eu mesma tive que trocar o dia pela noite já que ela era mais ativa quando não havia riscos por perto, foi difícil me acostumar, mas o salário fazia com que eu me mantivesse obediente. 
Os primeiros dias foram penosos apenas pelos horários, de forma geral tudo corria bem, a garota era calma, até demais eu diria, e fácil de se lidar. Os Anderson não eram o que eu classificaria como um ”exemplo” de pais, a maior parte do tempo estavam ausentes e quando não, tratavam a filha com certo desprezo. Talvez por pena ou algo do tipo me vi tentando me aproximar mais da garota, realmente tentei faze-la se sentir amada, porém, ela parecia não querer o mesmo. A cada passo que eu dava em sua direção ela parecia dar três para manter a distância. 
Certo dia eu estava recolhendo as bonecas que ela havia deixado na porta de seu quarto quando a ouvi falando, mas eu… não entendia. Parecia algum idioma antigo e complicado, mesmo sem entender uma só palavra um arrepio percorrer a minha espinha. Já era estranho ela falar, coisa que normalmente não fazia, quem dirá em outro idioma! Eu estava tão estática que não pude mover um músculo sequer por um bom tempo até que finalmente reuni coragem e espiei pela fresta da porta. Lá estava ela sentada diante da parede, com o olhar fixo e sibilando as palavras. Me perguntei se ela estava falando com um amigo imaginário, mas notei um buraquinho da largura de seus dedinhos na parede e ela parecia se dirigir a ele. Senti-me repentinamente envolvida, não tinha mais controle sobre minhas pernas e minha voz, o ar parecia mais denso no comodo, como se houvesse a presença de algo ali, algo maligno. ”Ban” esse foi o som que as bonecas que estavam em minhas mãos fizeram ao irem de encontro ao chão. Ela olho para mim com aqueles olhos azuis e frios, algo não estava certo. Aquele olhar era muito mais maduro e aterrorizante do que jamais havia sido.
Depois daquele dia comecei a ser mais cautelosa quando estava na casa, também comecei a reparar em eventos que antes eram deixados de lado. Correntes de ar repentinas, objetos perigosos que sumiam e apareciam misteriosamente em outro lugar, mas o pior era realmente os pequenos ”acidentes” que ocorriam com as outras empregadas. Quase em todos os episódios a pestinha estava por perto. Aquilo começou a me aterrorizar e passei a vigia-la, vê-la conversando de forma sinistra com o buraco tornou-se comum, por vezes havia até mesmo a visto ”alimentar” aquela coisa, partilhava sua refeição sempre que virávamos as costas. Minha curiosidade fazia com que meu coração sufocasse.

Foram meses que me enlouqueceram pouco a pouco, não pregava os olhos quando ia dormir, não comia, não vivia mais de certa forma. Foi então que tiraram a garota de casa para que ela fosse ao médico, não podia haver melhor oportunidade. Quando me vi livre de todos os Anderson corri para o quarto de Marcy e passei minutos encarando o buraquinho antes de atrever-me de tentar uma aproximação. No primeiro passo não me senti nem pior nem melhor, no segundo um formigamento na minha nuca avisava que eu não deveria estar ali, no terceiro enxuguei  minhas mãos suadas no avental que usava, no quarto comecei a sentir um cheiro de podridão que me causou náuseas, no quinto eu já estava perto o bastante para reparar como a parede a sua volta havia se deteriorado miseravelmente, no sexto eu estava bem diante dele. Agachei-me exitante para espiar através dele, e devo dizer que o que vi não é algo que eu vá esquecer até o dia da minha morte.
Do outro lado, havia um olho me espiando de volta, não um normal, mas um vidrado e putrefato. Minha primeira reação numa fração de segundo foi pensar ”É um cadáver.”, mas ai a coisa de moveu. 
Cai para trás gritando, pensei em rastejar até a porta, mas minha mente parecia ter parado pelo pânico. A coisa lá dentro colocou um dedo cadavérico para fora do buraco e começou a forçar a parede que se rachava contra as investidas, a pior parte foi quando falou, pois a voz áspera não se propagava pelo quarto, mas sim por minha mente. Ele falava na mesma língua que a garotinha, mas eu o entendia. Aquela coisa falou para mim ”Você é a minha nova garotinha? Venha aqui para que eu poça cuidar de você.”
Foi nesse momento que voltei a raciocinar, aquilo, seja lá o que fosse, queria me matar ou coisa pior. Levantei-me enquanto ele continuava tentando sair da parede e tentei ir até a porta, mas ela fechou-se bem diante dos meus olhos. Olhei em volta e la estava a janela, não pensei duas vezes antes de me lançar contra ela, ainda me lembro que por uma fração de segundo enquanto caia senti a coisa farejando meu pescoço. Desde aquele dia eu não parei de fugir, não importa o quão longe a coisa me acha. Eu fui marcada por ela, e ela me quer. Se eu paro por muito tempo em um lugar logo vejo um buraco se formando na parede. Aonde quer que eu vá lá está a coisa, destruindo tudo o que toco. Mas agora já vou, não me pergunte mais nada. Mas se eu fosse você deixaria esse apartamento se você reparar, bem atrás de você vai achar as primeiras rachaduras.-Falando isso a senhora se levanta e deixa o apartamento. Após uns momentos perplexa a repórter cai na gargalhada, mas então sente algo a olhando por trás, não demorou muito a sentir o cheiro da podridão.
Nunca mais ela foi vista. Assim como você, jovem estúpido e curioso que lê esse ”conto” também irá ser gentilmente apagado da história quando não passar de nada além de uma vaga lembrança. Porque, se você reparar, bem atrás de você, na parede, nesse instante, uma rachadura que não estava ali acabou de surgir.”

História aterrorizante enviada pela Mariana S. Pinheiro

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