Resenha: O triste fim de Policarpo Quaresma

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Publicado em 1911

Autor: Lima Barreto

Sinopse: Policarpo Quaresma é um brasileiro que gosta profundamente das coisas de nosso país. Estuda a geografia de nossos rios, a história, a língua de nossos índios. Ama a cultura popular e chega a aprender a tocar violão, só para melhor conhecer nossa música. Sonha em melhorar as coisas para todos. Muda para o interior, para trabalhar na agricultura, pensando em ajudar o Brasil a se desenvolver. Envolve-se num conflito para ajudar o presidente. Mas no fim perde as ilusões.

Olá leitores

O triste fim de Policarpo Quaresma não é a princípio um livro legal, mas à medida que você conhece o personagem e seu ideal/dramas a história fica muito interessante.

A obra começou a ser publicada em 1911 na forma de folhetins e somente anos depois em forma de livro.

As histórias de Policarpo se passam durante os primeiros anos da República; precisamente durante o governo de Floriano Peixoto (1891 – 1894).

Policarpo Quaresme é um homem engajado e revolucionário. Seus ideais e hábitos causam certa estranheza nas pessoas de seu convívio .

O livro é dividido em 3 partes:

Na primeira é narrada a rotina do Major Policarpo (que na verdade não era major). Quaresma tinha um amor por livros e era extremamente patriota. Certo dia, decidiu que iria aprender violão com Ricardo Coração dos Outros, causando ainda mais estranheza entre os vizinhos, pois quem tocava o instrumento não era visto como respeitável na época. Além disso, o protagonista começou a aprender tupi-guarani, e até enviou uma carta ao ministro pedindo que se ensinassem as crianças em tupi-guarani !!

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Na segunda parte do livro, seguindo o conselho de sua afilhada Olga, Policarpo compra um sítio e se muda para lá com sua irmã. Chama o sítio de “O Sossego”. No sítio, surge uma nova paixão em Policarpo: a de estudar botânica e aproveitar ao máximo a terra brasileira, que segundo ele, era a melhor. Um dia o Tenente da cidade pede ajuda ao major para uma festa que iria ocorrer. Quaresma se recusou, pois não era a favor de política de troca de favores! Com esse simples gesto, Policarpo atrai inimigos políticos que querem prejudicar seu sítio. Começaram, então, a cobrar mais taxas e impostos, o que reduzia, e muito, os lucros do sítio. Foi então que Policarpo pensou que uma reforma agrária seria a melhor saída.

Na terceira parte, Quaresma está de volta a cidade. Policarpo é convocado para ser militante em da Revolta Armada no Rio de Janeiro e aceita sem precedentes. Nessa parte há o desenvolvimento da revolta e das consequências causadas por ela na vida do Major (agora major mesmo haha)

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Ao mesmo tempo que sentimos pena da ingenuidade de Policarpo Quaresma, rimos ao vermos tantos projetos e preocupações incomuns. Sentimos a mesma coisa que os vizinhos de Quaresma. Ele não era compreendido e nem queria isso, a única coisa que o nosso protagonista queria era exaltar o melhor que o Brasil possui.

O texto faz uma intertextualidade com Dom Quixote. O autor faz essa comparação tendo em vista que ambos não viviam a realidade, viviam seus sonhos e objetivos, embora parecesse estranho para os outros. A crítica social é muito forte nesse livro e tudo é satirizado.

Bem, esse livro não é fácil de ler. Há estranhamento em ler algo sobre alguém tão patriota como Policarpo, afinal não vemos isso nos dias de hoje. Mas, lendo com calma e prestando atenção nos contextos sociais o livro bem interessante.

Recomendo muito.

Beijoos.

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