Resenha: A Cidade e as Serras

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Sinopse: Obra publicada em 1901, retrata o contraste entre o dia a dia frenético da metrópole e a vida simples do campo. A história é dividida em duas partes: a primeira narra a vida de Jacinto em Paris, que diante do avanço da civilização, do progresso, das novas tecnologias, da massificação dos centros urbanos, sente-se com um grande vazio interior. A segunda apresenta o personagem de volta a Tormes, em Portugal, onde ele encontra a verdadeira felicidade. Vivendo no campo, ele descobre a si mesmo, além de promover melhorias nas serras, um lugar atrasado e pobre. Decide, então, trocar a vida de luxo em Paris pela simplicidade. A história ironiza os males da civilização e enaltece os valores da natureza, fazendo uma crítica ao estilo de vida desprovido de autenticidade, que engrandece o progresso urbano e industrial e desvaloriza as raízes e a cultura de um país.

Olá  leitores,

A Cidade e as Serras foi um livro que me surpreendeu quando o li. Apesar de ser suspeita para falar de Eça de Queirós, afinal todos os livros que li dele foram maravilhosos.

O livro é uma obra póstuma do autor. E é o desenvolvimento do conto “Civilização”.

A obra se encontra na terceira fase do autor, que é  considerada mais otimista, mais lírica, poética e mais nacionalista.

O livro é dividido em duas partes. A primeira ocorre em Paris (cidade) e representa a negatividade. Já a segunda parte ocorre em Tormes (serras) e representa a positividade.

O narrador é em primeira pessoa e este é um personagem do livro, no entanto não é o protagonista, mas sim, seu grande amigo Zé Fernandes.

Zé Fernandes é um narrador-testemunha.

A narrativa começa com Zé Fernandes fazendo uma retrospectiva genealógica do nosso protagonista Jacinto.

Começando pelo avô… Jacinto, também conhecido como Dom Galeão,  casa-se  com Dona Angelina. Dom Galeão é um rico aristocrata de Tormes, uma cidadezinha da zona rural de Portugal. Ele é um absolutista. Dom Galeão foi deposto de Portugal e devido a isso viaja a Paris. Lá vai morar na Mansão 202 e infelizmente tem uma morte trágica: indigestão.

Jacinto, filho de Dom Galeão e pai de nosso protagonista, e é mais conhecido por Cintinho. Ele possui várias doenças crônicas, mas mesmo assim casa-se com Dona Terezinha e com ela tem um filho, nosso protagonista Jacinto. Infelizmente Cintinho morre 3 meses após o casamento =(

Finalmente Zé Fernandes começa a falar do nosso protagonista…

Jacinto de Tormes nasce em Paris, berço da civilização. É conhecido na Cidade das Luzes por “Príncipe  da Grã Ventura”

Jacinto tem uma tese:

Suma potência vs Suma Ciência = Suma Felicidade

Ou seja, a natureza bestializa o homem, enquanto que a civilização traz a felicidade.

Fazendo uma pausa para explicar melhor nosso deuteragonista (segundo personagem principal).

Zé Fernandes é natural de Guidães (vizinha de Tormes). Fazia um curso de Direito em Paris quando conhece Jacinto. Ficam grande amigos, no entanto, Zé Fernandes é obrigado a voltar a Guidães para cuidar de um tio doente. Após a morte desse seu tio, Zé Fernandes passa a cuidar dos negócios da família.

Podemos afirmar que Zé Fernandes conhece a cidade e as serras =)

Após 7 anos, Zé Fernandes volta a Paris e fica hospedado na Mansão 202 de Jacinto. Essa representa a civilização, pois possui uma biblioteca com mais de 30 mil exemplares, telefones, eletricidade, elevadores, carros, telégrafos, fonógrafos…

Enfim… voltamos a falar de nosso protagonista Jacinto.

Ele é amante de Madame D’Oriol uma socialite que frequenta sua mansão. Jacinto lê Schopenhauer, que representa o pessimismo.

Tudo o que jacinto faz em Paris é representado por desânimo, desinteresse e tristeza. Apesar de ter tudo, Jacinto não é feliz… Mas ele ainda não sabe disso.

Um belo dia surge um contratempo em uma de suas propriedades em Tormes e Jacinto “se vê obrigado” a ir até a pacata cidade. Porém, é óbvio que Jacinto não precisaria ir até lá. Ele toma essa decisão ansiando por mudanças e aventuras. Zé Fernandes vai junto com Jacinto =)

A transição de Paris para Tormes é retratada como um ritual de passagem.

Jacinto leva muitas tecnologias e enche vagões e mais vagões de trem… somente para passar alguns dias… haha

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Chegando a Tormes as coisas já começam a mudar… Os vagões se perdem da locomotiva e toda a sua “civilização” se vai com eles… Ou seja, Jacinto e Zé Fernandes estão somente com a roupa do corpo…

Tormes é uma cidade decadente. Jacinto percebe que os habitantes não possuem nada. Os salários são ruins, não há comunicação com outras cidades, não há farmácias, médicos, escolas de qualidade, casas com o mínimo de conforto…

Então, Jacinto toma uma decisão: trazer civilização para Tormes.

Ele melhora os salários, a educação, constroi uma farmácia, traz telégrafos.. Jacinto é considerado Dom Sebastião, um messias que trouxe prosperidade ao povo.

OBS.: Dom Sebastião foi Rei de Portugal (1557-1578) e desapareceu na África gerando o sebastianismo, uma espécie de crença messiânica no seu retorno ao país.

À primeira vista podemos pensar que Jacinto está fazendo isso por puro altruísmo… Mas não é bem assim… Jacinto faz isso também por si próprio, afinal isso está fazendo muito bem a ele também =)

Chega então o aniversário de Zé Fernandes… Jacinto conhece então a prima de seu amigo.. Joaninha… uma menina pura e que representa a antítese de Madame D’Oriol.. Ela representa as origens de Portugal, sua primitividade…

Pois bem… o livro traz muitos e muitos acontecimentos… É uma daquelas histórias em que toda página tem coisa nova. Mas tudo com muita riqueza de detalhes e descrições, afinal estamos falando de Eça de Queirós né? HAHA

Enfim.. a leitura e a história são maravilhosas… Eça nos leva a uma reflexão da modernidade… São muitas as surpresas que esse grande autor nos faz…

Eu realmente recomendo essa leitura ^^

Beijoos

 

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