Resenha: Viagens na minha terra

capa

Autor: Almeida Garrett

Publicado em 1843

Sinopse: Em ‘Viagens na Minha Terra’, Almeida Garrett atinge surpreendente profundidade psicológica para sua época. A obra analisa a situação política e social do país e a simbologia que Frei Dinis e Carlos representam: no primeiro é visível o que ainda restava de positivo e negativo do Portugal velho, absolutista o segundo representa, até certo ponto, o espírito renovador e liberal. No entanto, o fracasso de Carlos é em grande parte o fracasso do país que acabava de sair da guerra civil entre miguelistas e liberais e que dava os primeiros passos duma vivência social e política em moldes modernos.

Olá leitores,

Antes de mais nada gostaria de falar que é Viagens NA minha terra e não Viagens DA minha terra. Sempre que falam DA minha terra eu imagino Portugal com a mochilinha nas costas saindo por aí, sem rumo hahaha

Detalhes esclarecidos vamos falar do que interessa: O livro.

Quando eu fui ler esse livro pela primeira vez várias pessoas me falaram: “Nossa que dó de você! Esse livro é insuportável, eu não entendi nada…”. Não foram palavras que me animaram haha

Eu já sabia algumas coisas do livro e do autor. Sabia que era um romance romântico, mas com algumas inovações. Sabia que o autor faziam muitas digressões como Machado de Assis. E só.

Eu recomendo pesquisar sobre o autor antes de ler livros de literatura. E foi isso que eu fiz =)

“Almeida Garrett foi o escritor que deu início ao romantismo em Portugal. Um dos autores mais importantes da literatura do país, teve intensa atuação também na vida política. Com ideais liberais, lutou contra o absolutismo e foi exilado mais de uma vez. Como muitos escritores, utilizou o jornalismo para transmitir suas ideias.

O escritor foi responsável pelas primeiras obras do romantismo português. Com textos de temática patriótica, Almeida Garrett ficou mais conhecido pelo trabalho na poesia e no teatro. É possível encontrar uma mistura de estilos, já que o autor apresenta obras de teor clássico e outras populares. Em certas obras, o narrador se comunica com o leitor, essa característica foi vista anos depois nos livros do escritor brasileiro Machado de Assis.”

Fonte: http://www.educaçãoglobo.com

Falando do livro…

O título já tem um carga subjetiva inclusa. O termo “minha terra” já indica um nacionalismo do autor.

A narrativa ocorre em 1° pessoa. O narrador é identificado com o próprio autor.

O narrador viaja com seus amigos de Lisboa à Santarém. À medida em que viaja o autor vai se desiludindo com o que vê e faz descrições nada idealizantes das regiões. Bem, nessa parte o autor vai contra os princípios do romantismo.

Quando chegam ao Vale de Santarém (local histórico) o autor faz descrições idealizantes (bucolismo).

De repente o narrador se depara com uma casa…. janela, quase no meio do nada.

“Parece uma moldura perfeita.”

A partir desse momento a narrativa passa para 3° pessoa e o narrador passa a ser ouvinte. Nesse momento começa a narrativa da história de amor entre Carlos e Joaninha.

Joaninha também conhecida como A menina dos rouxinóis. É uma personagem idealizada. A menina representa a pureza e a delicadeza.

Neta de D. Francisca, uma velha que necessita da ajuda da neta.

Carlos é primo de Joaninha. Tem 15 anos a mais que a menina. Vai para Coimbra estudar Direito. Viaja para Inglaterra… conhece o “mundo”. Carlos representa o liberalismo.

Ambos os primos são órfãos.

Frei Dinis é absolutista e representa o conservadorismo e o autoritarismo.

Lembrando que Almeida Garrett era absolutista, mas no livro ele mostra os positivos e os negativos de ambas as correntes.

O passado do Frei é meio estranho… Seu nome era Dinis de Ataíde. Era rico, erudito e respeitado. Optou pelo celibato aos 50 anos e devido a isso abdicou dos bens materiais que foram doados para D. Francisca.

Um detalhe muito importante é que Frei Dinis por algum motivo não gosta de Carlos…

Carlos volta a Santarém depois de anos e reencontra a prima…Nesse reencontro eles se beijam!! Esse é o famoso beijo romântico, muito idealizado e apaixonado.

No livro o autor narra a Batalha de Almoster em que Carlos participou. Essa batalha realmente aconteceu em Portugal. Almeida Garrett participou dela.

Enfim, essa batalha foi muito violenta e Carlos sai gravemente ferido e por isso é levado ao mosteiro de Frei Dinis.

Quando Carlos acorda encontra a inglesa Georgina ao pé de sua cama.

Carlos conheceu essa moça e suas 2 irmãs na Inglaterra. O personagem teria se relacionado com as três irmãs, mas por último com Georgina.

P.S.: Dizem as más línguas que quando Garrett esteve na Inglaterra ficou hospedado na casa de um amigo que tinha três filhas…. Podemos observar nesses pequenos detalhes que o autor coloca muito de sua trajetória pessoal no livro.

Carlos diz para Georgina que a ama, mas que também ama Joaninha, sua prima. Aqui interpretamos o amor de Carlos como um amor camoniano, onde o que é amado é o amor. Então eles podem amar várias pessoas, afinal o que eles amam é o amor.

Eu sei que isso pode parecer confuso, mas aos poucos essa ideia se torna familiar. =)

Enfim, é nessa parte do livro que ocorre a maior revelação das vidas das personagens.

Viagens-na-minha-terra

Bem, o livro não tem uma leitura fácil é dinâmica. As diversas digressões o deixam, algumas vezes, maçante. A linguagem é erudita, jornalística, irônica…

No entanto o enredo é sensacional. Eu aconselho a ler esse livro com muito cuidado, tentando entender todas as partes. Esse é um livro que tem que ser lido sem pressa. Tentei ler esse livro algumas vezes e sempre parava porque o achava chato, mas quando li com cuidado, entendendo todas as partes, o livro ficou super interessante.

Então é isso, leiam esse livro com calma e entendam a história do autor que facilitará muito, pois o autor coloca muitas partes de sua vida no livro.

Recomendo muito!

Beeijos

 

 

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