As Oito Notas Musicais

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Autor: Renan Augusto
Editora Livre Expressão, 2014
248 págs.

Nunca li um livro que não houvesse UMA descrição física dos personagens até a página 62. Nunca li um livro em que o detalhamento fosse tão vago. As Oito Notas Musicais é um livro com uma ótima ideia. De fato, quando li a sinopse e o começo da história, imaginei que seria um livro excelente, no entanto, com decorrência da leitura, não foi o esperado…

Sinopse: Tudo começa numa época em que ocorre “O desastre sonoro da nossa geração”. O que se segue é a redescoberta do som, mas de uma forma inteiramente nova. Após um combate intensivo entre a música e seus inimigos, o significado pleno de “música” e “som” por fim é entendido. 

Logo no começo, Herza e Éder estão na cerimônia deles de casamento, então quando Éder começa tocar uma música para sua noiva, eles escutam barulhos que acham estranhos, mas com a permanência do barulho e tendo ficado estrondoso o casal fica preocupado, então do nada o som acaba, eles falam, mas não escutam nada, então eles vão dormir o.o (não sei o que aconteceu com a festa “humilde”, que aliás foi uma das únicas descrições de cenário, que estava acontecendo). No dia seguinte, Éder acorda Herza e, percebendo que o som ainda não tinha voltado, eles discutem que profissionais de letras dizem que algumas palavras relacionadas com música iriam desaparecer e o Éder diz que alguns iniciantes na música estavam padecendo de fome O.o. Como assim? Em uma página acaba o som e na outra -que seria na manhã seguinte, pelo que entendi-, já tem gente padecendo de fome? Além disso, havia pessoas descartando seus aparelhos musicais. Cara, se o som acabasse em um dia, eu esperaria uma eternidade para pensar em descartar algum aparelho musical, eles no mínimo são caros o.o

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Mas, continuando a leitura, e ignorando esses fatos, o defeito da “pressa” na escrita continuara sendo percebido por mim.

Tal como, após uma página, o narrador diz que passaram-se anos e algumas pessoas ainda não tinham aceitado o ocorrido, e Éder diz que vai aprender com os que já eram surdos, indo estudar psicologia. Então na linha de baixo ele já estava morando em Mumbai na Índia se dedicando muito a leitura e já estava escrevendo para Herza de sua pesquisa o.o (não, eu não sei se ele já morava ou se viajou para estudar). Até aqui estamos na página 19.

Até que algo muito estranho acontece. Vou contar rápido, da mesma maneira que acontece no livro.

Os personagens montam uma equipe para viajar pelo mar para tentar entender o que aconteceu com o som. Logo, foi convocada uma equipe, que o casal, Éder e Herza fazia parte, e elegeram um capitão. No meio da viagem aconteceu um problema e além do capitão, outro integrante morreu, então o braço direito virou capitão. Na viagem o som volta, no entanto volta com outras propriedades, as vozes ficam mais agudas. Éder quer continuar na ilha de Ibiza a fim de obter provas do acontecimento, mas o novo capitão é contra, pois ele já tinha ordenado que iriam embora dessa ilha à caminho de casa. Éder, como queria muito voltar para Ilha, pois acreditava muito no sucesso de sua pesquisa, bola um plano que conta com a ajuda de outros para dar uma surra no capitão e prendê-lo em uma sala. O plano foi bem executado, Éder assume como capitão e volta para o local de onde saíram. Quando param na ilha eles começam a andar, mas no meio do caminho o capitão que tivera sido trancado numa sala surge. Éder treme e diz para o capitão que faria  o que quisesse para se desculpar. O capitão diz que para ele desculpar, Éder e Herza iriam ter que “APODRECER” na ilha, enquanto que os outros iriam embora, detalhe o local da ilha em que eles estavam andando era um ambiente fechado que ficava até escuro, pois o sol não conseguia penetrar, mas Éder aceita, pois tinha jurado pelo seu casamento. Como assim? Quem ficaria em uma ilha dessas sem ter como voltar para casa só porque uma pessoa intitulada capitão sem meios físicos de obrigá-lo ordenou? Tudo bem, encarei como se Éder fosse uma pessoa com muita palavra e que ligasse para uma promessa que tinha acabado de fazer -que na verdade foi um juramento que estava arrependido, não que jurava fazer qualquer coisa para se desculpar-, mas que não ligasse para enrascada que estava colocando ele e sua mulher juntos. O capitão e os outros PESQUISADORES do som, voltaram para o barco. No barco Joseppi, o capitão, anuncia que os dois que bateram nele deveriam se entregar, ou alguém deveria entregá-los, pois caso contrário, TODOS pagariam com a morte. Nesse momento eu pensei? O quê? Como assim? Isso poderia acontecer em um navio com piratas em que o capitão tinha armas, algum poder especial, um exército de soldados que trabalhasse para ele, mas em um barco com algumas pessoas que mal se conheciam que se reuniram para procurar uma causa para o fim do som, pessoas que gostavam de música. Como ele diz isso? Como mataria 15 pessoas das 16 reunidas, sem apresentar pelo menos alguma arma ou algum exército?!(Só depois de umas 15 págs que o narrador cita que havia uma espingarda) Mas para acabar com minha agonia, a médica do grupo grita “Isso é injusto”. Injusto? Isso é uma das maiores loucuras que eu já vi.

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Mas não digo que o problema é da história, pois isso poderia acontecer em um mundo muito louco. O problema foi que não houve alguma evolução das características dos personagens que caracterizassem a chegada de algo com tanta barbárie. Acho que o escritor quis chegar muito rápido nos pontos críticos sem nenhuma vontade de explicar o desenvolvimento deles. Eu até poderia continuar com minha agonia depois de ler que o capitão fez os dois que bateram nele, após os dois se entregarem, comerem dejetos humanos e ainda lamberem o prato, mas prefiro parar por aqui, pois conforme fui lendo achei que estava piorando.

Abandonei a leitura do livro quando algo que aconteceu me perturbou por não fazer sentido.

Resumidamente, a história poderia ser boa. Contando um resumo bem pequeno, tem potencial para ser um ótimo livro. Mas quando se começa a ler…

Não indico, pois mesmo lendo mais de uma vez os fatos ainda fiquei em dúvida, pois eles acontecem demasiadamente rápido, causando até  confusão do que está acontecendo no livro, não dando para imaginar os cenários, os personagens e com desenvolvimento infantil. Sei que o livro deve ter dado trabalho para ser feito, mas infelizmente essa é minha análise das milhares que podem ter. 😦

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