Resenha: Capitães da Areia

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Autor: Jorge Amado

Publicado em 1937

Sinopse: Capitães da Areia, a história crua e comovente de meninos pobres que moram num trapiche em Salvador e clássico absoluto dos livros sobre a infância abandonada, assombrou e encantou várias gerações de leitores e permanece hoje tão atual quanto na época em que foi escrito.

Olá leitores,
A resenha de hoje é sobre o livro Capitães de Areia. Foi publicado em 1937, pouco depois de implantado o Estado Novo, este livro teve a primeira edição apreendida e exemplares queimados em praça pública de Salvador por autoridades da ditadura. A partir de 1940 sucederam-se as edições nacionais e em idiomas estrangeiros. A obra teve também adaptações para o rádio, teatro e cinema.
Essa obra pertence a 1º fase do escritor. É um romance panfletário que faz propagando do marxismo. Além disso é um romance proletário.
O início do livro já nos mostra bem a intenção do autor de denúncia social. Esse início mostra uma notícia do jornal, onde a manchete eram sobre os Capitães da Areia que “aprontaram” mais uma. Em um grande espaço há uma carta do diretor da polícia e outra do reformatório. Eles representam a classe dominante. Ainda nesse jornal há uma “carta de uma mãe” e cartas do padre José Pedro. Essas ocupam o rodapé da página. Isso significa dizer que o povo não tem voz social.
A narrativa ocorre em Salvador e principalmente num trapiche (galpão abandonado no cais) onde os meninos passam a noite. O narrador afirma que mais de 100 meninos passam por lá.. seja pra dormir, ou só passar mesmo!
Falando um pouco das personagens principais temos:
Pedro Bala: Era um jovem loiro de 15 anos e tinha um corte no rosto. Era o chefe dos Capitães da Areia, ágil, esperto. Pedro Bala representa a coragem e a empatia.
“É aqui também que mora o chefe dos Capitães da Areia, Pedro Bala. Desde cedo foi chamado assim, desde seus 5 anos. Hoje tem 15 anos. Há dez anos que vagabundeia nas ruas da Bahia.”
Professor: Era um garoto magro, inteligente, calmo e o único que sabia ler no grupo. O professor era quem planejava os roubos dos Capitães da Areia. Professor era o único que Pedro Bala “dava ouvidos”. Ele representa a  imaginação e a intelectualidade.

Sem Pernas: Era um garoto pequeno para sua idade, coxo de uma perna, agressivo, individualista. Era quem penetrava nas casas de família fingindo ser um pobre órfão com o objetivo de descobrir os lugares da casa, onde ficavam os objetos de valor depois fugia e os Capitães da Areia assaltavam a casa. Sem Pernas representa a agressividade.

João Grande: Era um negro alto, forte e burro. Era também o defensor dos meninos pequenos do grupo. Era figura importante no grupo, e realizava os mais audaciosos furtos ao lado de Bala. João Grande representa a força física e a bondade.

Pirulito: Era magro e muito alto, meio amarelado, olhos fundos, boca rasgada e pouco risonha. Era o único do grupo que tinha vocação religiosa apesar de pertencer aos Capitães da Areia. Pirulito representa a religião/catolicismo.

Outros meninos importantes são: o Gato, Volta-Seca e Boa-Vida.
Lembrando que todos os meninos tem no máximo 15 anos e que amadureceram muito rápido devido a vida que levam! Eles possuem relações sexuais, participam de jogos de azar e apostas.. Muitas vezes quando estamos lendo o livro esquecemos que eles são apenas crianças de 12, 13 anos. Jorge Amado quis mostrar que o sofrimento tira a parte boa da infância e faz com que os meninos tenham a necessidade de tornarem-se adultos antes do tempo.
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O Padre José Pedro é figura importante na vida dos meninos. Ele possui ideias marxistas. Sempre passa no trapiche para conversar com os garotos.
Nesse romance o romance também está no ar!! haha
É o caso de Dora e Pedro Bala. Dora tinha treze para quatorze anos, era a única mulher do grupo e se adaptou bem a ele. Era uma menina muito simples, dócil, bonita, simpática e meiga. Seus pais haviam morrido de bexiga (varíola) e ela ficou sozinha no mundo com seu irmão pequeno. Tentou arrumar emprego, mais ninguém queria empregar filha de bexiguento. Aí ela encontrou João Grande e professor que a chamaram para morar no Trapiche, e logo ela já era considerada por todos como uma mãe, irmã e para Bala uma noiva.
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A primeira vez que li esse livro eu tinha uns 11 anos e já achei fenomenal, mesmo sem entender muitas coisas que o autor queria nos dizer. É uma obra fácil de ler, gostosa, fluida e tem um enredo muito bom! É uma daquelas histórias que mesmo quando acaba queremos continuar acompanhando a vida das personagens, pois nos afeiçoamos muito a elas.
Recomendo muito!
Beijoos.
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2 comentários em “Resenha: Capitães da Areia

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