Resenha: Fahrenheit 451

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 Ficção Científica,  / 216 Paginas /Editora Globo Livros / Autor Ray Bradbury / Edição Publicada em 2012/ Primeira publicação em (1953) /  Classificação 5/5 / Compre & Compare Saraiva/ Fnac / Livraria da Folha

SINOPSE

 “Imagine uma época em que os livros configurem uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são proibidos. Para exterminá-los, basta chamar os bombeiros – profissionais que outrora se dedicavam à extinção de incêndios, mas que agora são os responsáveis pela manutenção da ordem, queimando publicações e impedindo que o conhecimento se dissemine como praga. Para coroar a alienação em que vive essa nova sociedade, as casas são dotadas de televisores que ocupam paredes inteiras de cômodos, e exibem “famílias” com as quais se pode dialogar, como se estas fossem de fatos reais.

Este é o cenário em que vive Guy Montag, bombeiro que atravessa séria crise ideológica. Sua esposa passa o dia entretida com seus “parentes televisivos”, enquanto ele trabalha arduamente. Sua vida vazia é transformada quando ele conhece a vizinha Clarisse, uma adolescente que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo. O sumiço misterioso de Clarisse leva Montag a se rebelar contra a política estabelecida, e ele passa a esconder livros em sua própria casa. Denunciado por sua ousadia, é obrigado a mudar de tática e a buscar aliados na luta pela preservação do pensamento e da memória.

Um clássico de Ray Bradbury, “Fahrenheit 451″ é não só uma crítica à repressão política mas também à superficialidade da era da imagem, sintomática do século XX e que ainda parece não esmorecer.”

RESENHA

Fahrenheit 451 estava em minha estante para leitura já há alguns meses. Estava com vontade de lê-lo desde o momento que o ganhei, mas sempre vinha algum na frente e eu acabava postergando. O ponto chave para iniciar a leitura foi quando vi que ia sair o filme pela HBO!!

Nessa resenha, eu pretendo não somente contar um pouco da história e o que eu achei sobre ela, mas também gostaria de discutir alguns pensamentos que me marcaram no meio da leitura.

 

O livro foi escrito em 1953, então era esperado por mim que houvesse uma linguagem um pouco diferente da utilizada atualmente, o que tornaria a leitura um pouco mais travada. Mas eu estava muito enganado. A leitura é feita de uma maneira muito fluida, de modo que é possível ler o livro rapidinho!

Como na própria sinopse está escrito, acompanhamos a história de Montag, bombeiro responsável pela queima de todos os livros, uma  vez que em Fahrenheit o ponto chave é a descrição de uma sociedade sem livros e manipulação da mídia. E aqui é um ponto que eu gostaria de fazer uma pausa, pois falar de um livro que é de uma sociedade que os livros eram proibidos em um blog de livros é muito forte! Você consegue perceber a ironia nisso tudo?

E o pior de tudo, eu não duvido que essa ideia pudesse vir a se tornar verdade! Mas voltando ao Montag, o bombeiro é nosso personagem principal, responsável por queimar livros. Essa é sua profissão, sem mais nem menos, nunca se perguntou o porquê, ou quando tomou a decisão de queimar livros, apenas o fazia.

Mas sua vida é mudada após conhecer Clarisse, uma das poucas pessoas resistentes na sociedade a pensar de maneira diferente e que faz Montag pensar um pouco na vida. Pensar sobre por que as coisas tinha que ser daquele modo, por que todos deveriam agir da mesma forma, impulsionada pela mídia.

Montag passa a pensar sobre a vida e principalmente sobre o motivo dos livros serem tão temidos. Isso me leva a pensar sobre dois casos que aconteceram aqui no Brasil mesmo que se conectam com o livro.

Você já parou para pensar por qual motivo o livro do Hitler, “Minha Luta” era proibido aqui no Brasil? Será que existe alguém ou um governo tão absoluto que possa dizer para você que esse livro não é para você, ou melhor não é para nós? “As ideia difundidas no livro são muito pesadas, de modo que esse deve ser proibido”.

E ainda outro ponto, não menos debatível que a questão do livro “minha luta” é a não obrigatoriedade do estudo de sociologia, filosofia… Ainda não sei o quanto foi para frente essa ideia, mas pelo menos, em minha pesquisa mostra que as disciplinas continuam iguais, sem retirar aquelas disciplinas da grade obrigatória.

Mas por que será que queriam mexer justo com esses assuntos que de de fato fazem o aluno pensar socialmente, filosoficamente, onde você pode não só ler um livro ou um texto, mas tentar entender o texto. Em minha opinião ambos os casos que levantei são indícios ou alusões ao livro Fahrenheit 451.

Mas, voltando novamente ao nosso personagem que passa a pensar sobre a vida… Qual o problema disso? Montag não era contratado para pensar na vida, ele deveria apenas receber chamados de pessoas encontradas com livros dentro de casa, chegar nos locais queimar tudo sem fazer perguntas.

E o que acontece quando alguém acorda em um sistema adormecido? Quando alguém sai da caverna de Platão?

Querem te adormecer novamente!

Esse é um dos livros que realmente te fazem pensar sobre o universo que estamos inscritos. Pensar se, assim como Montag estamos sendo totalmente manipulados, se conseguimos pegar um texto mais complexo e entendê-lo por exemplo.

Temos sim a pegada sci-fi do livro com tecnologias implantadas para a manipulação em massa, mas com certeza, a pegada do livro é socióloga, pensar sobre a sociedade atual, futura, passada… sobre a humanidade em si.

Eu recomendo para todos os leitores!

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Renan

Adora histórias de fantasia no melhor estilo medieval, sci-fi, e também as que fazem pensar sobre a sociedade, culturas, mitologias. Estudante de Engenharia de Materiais na Universidade Federal do ABC.

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